Os principais indicadores para medir o sucesso da gestão de viagens corporativas.

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Os principais indicadores para medir o sucesso da gestão de viagens corporativas.

Gerenciar viagens corporativas vai muito além de encontrar passagens aéreas e hospedagens com bons preços. Uma gestão eficiente precisa transformar dados de viagens em decisões estratégicas, equilibrando controle de custos, experiência dos colaboradores, segurança, produtividade, compliance e sustentabilidade.

Por isso, acompanhar indicadores de desempenho, os chamados KPIs (Key Performance Indicators), é fundamental para entender se o programa de viagens realmente está entregando valor para a empresa.

Afinal, como saber se uma política de viagens está funcionando? Como identificar oportunidades de economia? E como demonstrar para a liderança que as viagens corporativas contribuem para os resultados do negócio?

A resposta está em uma gestão orientada por dados.

Por que medir o desempenho da gestão de viagens corporativas?

As viagens corporativas representam um investimento importante para muitas empresas. Ao mesmo tempo em que geram despesas com transporte, hospedagem, alimentação e outros serviços, elas podem contribuir diretamente para vendas, relacionamento com clientes, expansão de mercados, projetos, treinamentos e integração de equipes.

Uma viagem corporativa pode ser vista simultaneamente como uma despesa controlável, um investimento empresarial e uma ferramenta de produtividade. Isso significa que avaliar o sucesso de um programa exclusivamente pelo valor gasto pode levar a conclusões equivocadas.

Uma empresa pode reduzir o custo médio de uma passagem, por exemplo, e em contrapartida gerar uma experiência ruim para o colaborador, aumentar o tempo de deslocamento ou comprometer a produtividade.

Da mesma forma, uma política extremamente rígida pode reduzir despesas no curto prazo, mas criar baixa adesão e incentivar reservas fora dos canais oficiais.

O objetivo dos indicadores, portanto, não deve ser apenas responder “quanto gastamos?”, mas também:

  • Estamos gastando bem?
  • Estamos cumprindo as políticas estabelecidas?
  • Os viajantes estão satisfeitos?
  • Os colaboradores estão seguros?
  • As viagens estão contribuindo para os objetivos do negócio?

1. Custo médio por viagem

O custo médio por viagem é um dos indicadores mais importantes para acompanhar a eficiência financeira da política de viagem.

Ele pode considerar despesas com passagens, hospedagem, transporte terrestre, alimentação, taxas e outros gastos relacionados à viagem.

Mais importante do que observar o número isoladamente é acompanhar sua evolução ao longo do tempo e entender os fatores que provocaram aumentos ou reduções.

Uma elevação no custo médio pode estar relacionada ao aumento das tarifas, viagens internacionais, períodos de alta demanda, mudanças nos destinos ou alterações no perfil das viagens.

Por isso, o indicador ganha ainda mais valor quando analisado por centro de custo, destino, departamento, período e tipo de viagem.

2. Economia gerada pelo programa de viagens

Outro KPI fundamental é a economia efetivamente gerada pela gestão.

Aqui entram iniciativas como negociação com fornecedores, tarifas corporativas, acordos com hotéis, consolidação de volume, antecedência nas reservas e utilização de canais de compra estratégicas.

Entretanto, é importante diferenciar economia real de uma simples redução de preço.

Uma boa análise deve comparar o valor pago com referências adequadas, como tarifas disponíveis no momento da reserva, orçamento previsto ou histórico de compras.

Esse indicador ajuda a demonstrar o impacto financeiro da gestão de viagens e a justificar investimentos em tecnologia, processos e fornecedores.

3. Conformidade com a política de viagens

Uma política de viagens só é eficiente quando consegue ser aplicada na prática.

A taxa de compliance mede o percentual de reservas e despesas realizadas de acordo com as regras estabelecidas pela empresa.

Podem ser avaliados critérios como antecedência mínima para compra, categorias de hospedagem, classe de voo, fornecedores preferenciais, limites de gastos e processos de aprovação.

Uma baixa adesão pode indicar que a política é pouco conhecida, excessivamente complexa ou incompatível com a realidade dos viajantes.

Por isso, o indicador não deve servir apenas para fiscalizar. Ele também deve ajudar a identificar onde o processo precisa ser simplificado.

4. Antecedência média das reservas

Quanto maior a antecedência, maior tende a ser a possibilidade de encontrar opções mais adequadas de preço e disponibilidade.

Por isso, acompanhar o tempo médio entre a solicitação e a realização da viagem pode revelar comportamentos que impactam diretamente o orçamento.

Esse indicador também permite identificar áreas ou grupos que costumam realizar reservas de última hora.

Mais do que estabelecer uma meta genérica, o ideal é analisar o indicador de acordo com o perfil da viagem. Algumas demandas são naturalmente imprevisíveis, enquanto outras poderiam ser planejadas com semanas ou meses de antecedência.

5. Satisfação do viajante

O colaborador também precisa estar no centro da gestão. Uma viagem corporativa pode estar dentro do orçamento e, ainda assim, proporcionar uma experiência ruim.

Por isso, vale acompanhar indicadores como satisfação geral, facilidade de reserva, qualidade da hospedagem, atendimento, experiência com alterações de itinerário e percepção sobre a política de viagens.

Pesquisas simples após a viagem, utilizando NPS ou perguntas objetivas, podem gerar informações valiosas.

6. Adoção dos canais oficiais de reserva

Outro indicador importante é o percentual de viagens realizadas pelos canais definidos pela empresa, como plataformas de viagens corporativas, agências ou ferramentas de reservas integradas.

Uma alta adoção facilita a consolidação dos dados, melhora o controle financeiro, aumenta a visibilidade sobre os viajantes e pode fortalecer o cumprimento da política.

Já reservas feitas fora dos canais oficiais dificultam a gestão e podem gerar perda de dados, oportunidades de negociação e visibilidade para situações de emergência.

7. Índice de alterações, cancelamentos e remarcações

Nem toda viagem termina como planejada. Voos podem ser alterados, reuniões podem ser canceladas e compromissos podem mudar de data.

Por isso, acompanhar a quantidade e o custo de alterações, cancelamentos e remarcações ajuda a identificar padrões e impactos financeiros.

Esse indicador pode revelar, por exemplo, se determinadas rotas apresentam maior instabilidade ou se determinados departamentos costumam fazer alterações frequentes.

Além disso, permite mensurar o impacto financeiro de taxas, créditos não utilizados e serviços que precisaram ser remarcados.

8. Indicadores de segurança e gestão de riscos

Uma gestão de viagens eficiente também precisa responder a uma pergunta essencial:

A empresa sabe onde estão seus colaboradores quando eles estão viajando?

Indicadores relacionados à segurança e gestão de riscos podem incluir quantidade de viajantes em destinos de risco, incidentes registrados, tempo de resposta a ocorrências, cobertura de assistência e percentual de viagens com informações atualizadas.

Esse aspecto é especialmente importante em viagens internacionais ou para destinos sujeitos a instabilidade, eventos climáticos ou outras situações que possam afetar os colaboradores.

9. Emissões de carbono das viagens

A sustentabilidade também passou a fazer parte da gestão estratégica das viagens corporativas.

Medir as emissões associadas aos deslocamentos permite compreender o impacto ambiental do programa e criar metas de redução.

Entre os indicadores possíveis estão emissões totais, emissões por viagem, emissões por passageiro e evolução das escolhas de transporte.

Esse indicador pode ainda ser combinado com critérios financeiros e operacionais para identificar alternativas que conciliem eficiência, custo e menor impacto ambiental.

10. Retorno sobre o investimento das viagens

Talvez esse seja o indicador mais estratégico e também um dos mais difíceis de medir.

A pergunta deixa de ser apenas “quanto a viagem custou?” e passa a ser: “O que a empresa obteve como resultado dessa viagem?”

Dependendo do objetivo, o retorno pode ser associado a novos negócios, reuniões com clientes, fechamento de contratos, prospecção, implantação de projetos, treinamentos ou relacionamento.

Uma viagem para uma reunião comercial, por exemplo, pode representar um custo significativo, mas gerar um contrato muito superior ao investimento realizado.

Por isso, sempre que possível, as viagens devem estar vinculadas aos objetivos que justificaram sua realização.

Não existe um KPI único para medir o sucesso

Um dos principais erros na gestão de viagens corporativas é escolher apenas um indicador como referência de sucesso. Reduzir despesas é importante, mas não pode acontecer às custas da segurança, produtividade ou experiência do colaborador.

Da mesma forma, uma excelente experiência para o viajante não significa necessariamente que o programa seja eficiente se os custos estiverem descontrolados.

O ideal é construir um painel de indicadores que combine diferentes perspectivas.

Uma estrutura eficiente pode reunir cinco grandes dimensões:

Financeiro: custo médio, economia, orçamento e despesas.

Compliance: aderência à política e utilização dos canais oficiais.

Experiência: satisfação, facilidade de reserva e qualidade do atendimento.

Segurança: incidentes, cobertura e capacidade de resposta.

Sustentabilidade: emissões e evolução das escolhas de transporte.

A partir desses dados, o gestor consegue enxergar não apenas o que aconteceu, mas também onde estão as oportunidades de melhoria.

Conclusão

Uma gestão de viagens corporativas eficiente não é aquela que simplesmente gasta menos.

É aquela que consegue equilibrar custo, experiência, segurança, compliance, sustentabilidade e retorno para o negócio.

Os KPIs permitem transformar uma operação tradicionalmente vista como centro de custos em uma área capaz de gerar inteligência para a tomada de decisão.

Ao acompanhar os indicadores certos, a empresa passa a identificar desperdícios, antecipar riscos, melhorar processos, negociar melhor com fornecedores e compreender quais viagens realmente contribuem para seus objetivos estratégicos.

Em um cenário no qual o controle de custos continua sendo uma prioridade para os gestores de viagens, enquanto tecnologia, segurança, experiência e sustentabilidade ganham espaço, medir corretamente o desempenho do programa deixou de ser uma opção. É parte essencial de uma gestão moderna.

A pergunta não é mais quanto sua empresa gasta com viagens. É quanto valor ela consegue gerar a partir delas.

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